DISCURSO
25 DE ABRIL 2020
Caras e Caros Terrabourenses
Assinalamos hoje, sem cerimónia presencial, mais uma data come-morativa da “Revolução dos Cravos”, acontecimento marcante e indelével da sociedade portuguesa da última metade do século XX.
Com efeito, se hoje vivemos e sentimos plenamente o ideal democrático, muito devemos a quem na madrugada do dia 25 de abril de 1974, derrubou o regime fascista e opressor que governou Portugal durante quarenta anos.
Tudo o que o Estado Novo representou como regime político autoritário, autocrata e corporativista é hoje lembrado como algo que a sociedade por-tuguesa não quererá voltar jamais a reviver e para isso contamos com to-dos os que queiram lutar e engrandecer a liberdade dos direitos e garantias conquistados em Abril de 74.
Este ano, no “Dia da Liberdade”, somos, ironicamente, assolados por uma pandemia que nos priva, temporariamente, da nossa autonomia habitual no que às nossas vidas diárias diz respeito, mas, mais uma vez o Povo Por-tuguês, com demonstrações claras, também no nosso Concelho, tem dado mostras de respeito e consideração, no cumprimento das normas ditadas pelo poder instituído e eleito democraticamente.
Hoje, tal como há 46 anos temos que seguir unidos, coesos e solidários nesta luta contra um inimigo invisível que surge silencioso e, infelizmente, por vezes letal, mas somos “gente de vigor que fundou com bravura um país há 877 anos” e desde aí, muitas glórias, conquistas e adversidades con-tribuíram para nos fortalecer como Nação. Por isso, a “batalha contra esta pandemia” será, certamente, mais uma mostra da nossa perseverança e da nossa coragem.
Não poderíamos, para além do bom senso que a situação atual exige a cada um de nós, contrariar as indicações das entidades oficiais, nomeadamente, a Direção-Geral de Saúde e promover uma sessão presencial que, se acon-tecesse, seria claramente muito diferente do habitual, dadas as restrições existentes e assim, decidimos este ano, em consciência, “celebrar a Revo-lução de Abril” pela via digital.
Mesmo assim, 46 anos depois, não vivemos num país perfeito, contudo, to-dos os dias caminhamos para o desenvolvimento, lutando pela igualdade de direitos e deveres, para um estado social com maior igualdade, solidari-edade, liberdade e democracia, para uma maior credibilização do nosso pa-pel enquanto políticos, enquanto verdadeiros servidores da causa pública.
A história não pertence a ninguém, nós construímos a nossa história e o nosso caminho, por isso é importante recordar este dia, DIA DA LIBERDADE como um dia festivo e um dia para ser comemorado por todos.
Mas alguma vez pensávamos ver as nossas ruas vazias, e sermos obrigados a ficar em casa?
Afinal, visitar os nossos pais, avós e amigos torna-se num ato de amor. E é o que, neste tempo que vivemos, não poderemos fazer. Voltaremos a abraçar-nos e a beijar-nos com a liberdade a que nos habituamos, comemorando em pleno o dia 25 de Abril.
Somos um Concelho com mais de 500 anos de história, a quem D. Manuel I reconheceu ser um povo determinado e de luta, mas hoje estamos a enfrentar uma batalha maior.
O futuro não é um lugar para onde estamos a ir, mas um lugar que estamos a construir juntos.
É neste dia que se renova a esperança num País melhor para todos e sobretudo para as gerações futuras.
Cabe-nos agora a cada um, na medida das suas possibilidades, dar o melhor de si próprio na contínua construção de um Concelho melhor e de um país Livre para todos.
Temos consciência de que a democracia é sempre uma tarefa inacabada, mas como escreveu Sophia de Mello Breyner, façamos dos nossos dias “um dia inteiro e limpo” e um “despertar da noite e do silêncio” rumo a uma democracia plena e respeitadora dos mais elementares direitos do homem: a LIBERDADE.
Desejo a todos os Terrabourenses, que essa Liberdade seja celebrada muito em breve e de boa saúde.
A Liberdade como um Direito Fundamental!
Viva o 25 de Abril!
Viva Terras de Bouro!
Viva Portugal!

